Há construções que existem apenas para abrigar. E há aquelas que, ao longo dos séculos, se tornam parte da própria memória de uma cidade. O Paço Alfândega pertence à segunda categoria — e sua trajetória, iniciada entre 1720 e 1732, é um espelho fiel das transformações de Recife.
“Um patrimônio que remonta várias fases da história da cidade, e que continua se reinventando sem abandonar aquilo que o torna único.”
A história em datas
1720 — 1732
Construído como Convento dos Padres Oratorianos de São Filipe Néri, anexo à Igreja Madre de Deus. Um dos primeiros grandes complexos arquitetônicos às margens do Rio Capibaribe.
1826
Passa a abrigar a Alfândega do Recife, responsável pelo controle e tributação das mercadorias de um dos portos mais movimentados das Américas no século XVIII.
1932
Com a transferência do porto para a beira-mar, o prédio é doado à Santa Casa de Misericórdia. Nos anos seguintes serve como cooperativa, armazém e estacionamento.
2002
Uma grande reforma transforma o espaço em Centro Comercial. É nesse momento que nasce oficialmente o nome Paço Alfândega.
2020 — hoje
Nova transformação: o espaço se torna um Office Mall alinhado ao Porto Digital, recebendo grandes empresas de tecnologia, serviços e finanças.
Tombado, mas vivo
O conjunto arquitetônico foi tombado pelo IPHAN em 1998, reconhecimento que impõe responsabilidade a cada intervenção — e que ao mesmo tempo garante a preservação de uma arquitetura eclética única no centro histórico de Recife. Cada reforma precisa dialogar com o passado sem travar o futuro.
É exatamente esse equilíbrio que define o Paço hoje: um endereço com mais de três séculos de história, que recebe empresas globais de tecnologia e mantém a vista mais bonita da cidade. Reinventado, mas sempre reconhecível.